Tuesday, November 2, 2021

O Credo na vida do catequista e do catequizando

Nós conhecemos, e cremos no amor 

que Deus tem para conosco. (1Jo 4,16a) 


A maioria, senão  todas as grandes confissões religiosas, possuem uma profissão de fé, os judeus têm o Shemá, os muçulmanos a Chahada, os Luteranos possuem a Confissão Augustana. A Fé católica, que recebemos dos Apóstolos, está condensada nos Símbolos da Fé. 

O símbolo da fé é algo que todos os católicos temos em comum. Podemos divergir em diversos aspectos passíveis de especulação. Mas a fé que recebemos não se altera. Por isso o Credo é o ponto de união entre os católicos de todos os tempos e lugares. Os dois mais importantes credos da Igreja Católica são o Símbolo dos Apóstolos e o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Existem também outros símbolos da fé, a Profissão de Fé do Concílio de Calcedônia, ou o Credo de Santo Atanásio. Entretanto, iremos nos deter nas duas profissões de fé mais conhecidas e que estão integralmente presentes no Catecismo da Igreja Católica. 

O Símbolo dos Apóstolos é uma das mais antigas formulações da fé católica, os seus textos mais antigos, que chegaram até nós, são do século IV. E a sua composição remonta ao batismo dos catecúmenos, que devem professar sua fé na Santíssima Trindade. Ele está dividido em doze artigos, que são explanados no CEC, que diz que são o ponto de partida para a catequese. É importante ressaltar neste ponto que a catequese deve partir do credo, não das Sagradas Escrituras, pois só se lê a Bíblia corretamente dentro da fé católica. 

Já o Símbolo Niceno-Constantinopolitano não foi composto de uma forma tão orgânica como o dos Apóstolos. Ele é resultado das definições dos dois primeiros concílios da Igreja, o de Nicéia I (325) e Constantinopla I (381). Ele desenvolveu os artigos da profissão de fé apostólica e foi o único credo usado na Missa até 1970. 

É de extrema importância saber o Credo, que não é apanágio somente dos padres e religiosas. E neste contexto saber não é saber de memória, é conhecer, entender, saborear, e principalmente viver o credo. O Ministro da Catequese é o responsável por incutir nos catequizandos a beleza e riqueza da fé católica, para que eles a amem. Pois não se ama aquilo que não se conhece. 

Podemos dizer que o método de catecismo que nossos pais e avós receberam não é de todo ultrapassado. Não se pode abrir mão de coisas que se comprovaram eficazes ao longo dos séculos. Portanto um catequista que não sabe, ao menos, as duas principais fórmulas da profissão de fé não está ainda apto a catequizar. Do mesmo modo o catequizando que não sabe o credo não está apto a receber os sacramentos. 

Podemos concluir que saber as verdades contidas no credo é a fonte pela qual a fé da Igreja jorra para toda a nossa sociedade. É o primeiro passo para viver a vida no Senhor e santificar-se. Quem professa a fé (credo) pode celebrá-la e receber o Espírito de Cristo (sacramentos), quem recebe o Espírito de Cristo vive como ele viveu (10 mandamentos e o mandamento do amor), quem vive como Cristo ora como ele (Pai nosso). Quem exerce essas quatro dimensões da fé (crida, celebrada, vivida e orada) santifica-se e realiza o plano de Deus em sua vida. 


Autor: Vítor Turiano Meira CMF  /   Missionário Claretiano


Refletindo sobre o catequista no mundo de hoje

 SER MINISTRO DA CATEQUESE EM UM MUNDO DESCRISTIANIZADO 

FIDELIDADE CRIATIVA 


Introdução 


Por meio do Motu Proprio Antiquum ministerium, de 10 de maio de 2021, o Santo Padre, Papa Francisco, instituiu na Igreja o Ministério dos Catequistas. Por meio deste ato, quis o Papa, distinguir o catequista como um dos principais servidores da Igreja, naquilo que é uma de suas principais missões “Ide, pois, e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,19-29). 

É importante ter consciência não só da importância do Ministério do Catequista, que já existia na Igreja primitiva, mas do momento em que ele é restaurado na Igreja. Pois ainda que Cristo e sua Igreja sejam os mesmos, o mundo em que vivemos está em constante mudança.

Portanto, é necessário analisar aspectos religiosos da sociedade brasileira atual. Identificar e valorar suas fortalezas e fraquezas, chegar às causas, e, por fim, ministrar o remédio. Este método é chamado VER, JULGAR e AGIR, que foi muito popular na Igreja da América Latina a partir dos anos 70, mas já era usado no início do século XX por Dom Sebastião Cardeal Leme, Arcebispo do Rio de Janeiro. 


I Parte: O problema – Vivemos em uma sociedade cada vez mais descristianizada.

 

O Brasil, ainda que nos últimos 50 anos tenha perdido boa parte dos católicos para as seitas protestantes, ainda conta com uma maioria católica. É inegável que vivemos em um mundo que vai progressivamente apartando Deus da vida pública: os crucifixos são tirados das escolas, hospitais e tribunais de “justiça”; as leis votadas no Congresso Nacional vão contra o Evangelho; as mídias fazem chacota de quem quer viver cristãmente. 

Tudo isto acontece, mas ainda somos o maior grupo religioso do país. Católico é o povo, mas as leis, as instituições e a sociedade não são católicas. Gostamos das cerimônias religiosas, mas da porta da Igreja para fora vivemos como os demais. 

Nós católicos parecemos viver num estado de letargia, não agimos, não defendemos a fé, não nos esforçamos para que, ao menos em nossas casas, se viva a fé. E na mesma medida que a apatia nos consome, os inimigos da Cruz do Senhor não descansam no seu desejo de ver o nome de Jesus apagado dos corações. 

É imperioso que as palavras do Apóstolo estejam gravadas a fogo em nossas mentes “Sede sóbrios e vigiai. O vosso adversário, o diabo, vos rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé” (1Pd 5,8-9a). Mas como resistir se a fé não é transmitida? Como lutar sem armas? Como dialogar sem boca? Eis o problema dos Católicos no Brasil: é católico nos lábios, mas não nos atos. 

Ademais do problema estritamente religioso, também está muito presente em nosso meio as consequências da carência religiosa. Além de não sermos mais cristãos, progressivamente, vamos perdendo valores humanos e nossa convivência meramente social também se deteriora. 


II Parte: As causas do problema – Carecemos de instrução religiosa.


Ainda que a maioria da população brasileira seja católica, não é necessário um grande esforço para que constatemos que o catolicismo não faz mais parte do dia-a-dia das pessoas. As leis não expressam a índole católica da maioria do nosso povo, grassa entre as instituições públicas defensores do aborto, de supostos direitos de minorias, etc. 

E tudo isso deve-se à falta de instrução religiosa. Pois se o povo fosse católico nos atos, e não somente de boca, viveríamos em uma sociedade de acordo com a Santa Igreja. 

Gradativamente, principalmente nas paróquias das grandes cidades, as paróquias estão se esvaziando. Os jovens que andes fizeram a Crisma e a Primeira Comunhão com tanta piedade depois de entrar na universidade aderem a pensamentos materialistas ateus. Aqueles que antes eram membros de grupos de jovens, agora são políticos dos mais corruptos. Tudo isto por conta da falta de uma sólida instrução religiosa. Devemos estar atentos que ainda que uma catequese que não forme o cerne das pessoas não será eficaz. 

Uma catequese que somente visa a decoração dos artigos de fé não funciona. Este modelo de catequese transforma os encontros em uma aula. Pode transmitir conhecimentos da fé, mas para o catequizando a fé será uma matéria a mais, como língua portuguesa, matemática etc. 

Muito menos podemos tornar a catequese um encontro bíblico. Ainda que seja importantíssimo o uso das Sagradas Escrituras, só se pode interpretá-las com o espírito da Igreja, contido no catecismo. 

Outro modelo de catequese que não é eficaz é o que relativiza a fé. Fala-se muito de amor e tolerância, mas não instrui em nada em questões de fé. Os formados neste modelo de catequese têm a religião como mais uma força política e social; Jesus não é mais o Senhor Deus, mas apenas um grande homem com uma ideologia muito bonita. 

A catequese que verdadeiramente dá frutos é a que promove, não a assimilação de conteúdo, nem mesmo a que dá uma conduta social aos catequizandos. A boa catequese promove um encontro com a adorável pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. 


III Parte: A solução do problema – A catequese integral 


Disse o Papa Emérito, Bento XVI “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. 

Portanto ser catequista não é ser professor de catequese, não é ser assistente social, não é ser militante político. Ser catequista é ser canal, é apresentar aos catequizandos uma pessoa, Jesus Cristo, nosso Senhor. Portanto, o bom catequista, o ministro da catequese, deve conhecer nosso Senhor, deve amá-lo, deve ter uma vida de intimidade com Cristo, e desejar estar com ele sempre. E este desejo de estar junto leva o catequista a orar e formar-se constantemente. O catequista que parou no tempo é terra seca, água parada, ou seja, não produz. 

É de extrema importância que os Ministros da Catequese sejam homens e mulheres de profunda vida de oração e estudo, que deem testemunho pelas obras de que são pessoas da Igreja, tanto em casa como na rua. Cultivem uma vida sacramental, confessando-se com regularidade. Tenham vida eucarística, comungando bem e adorando o Senhor no Santíssimo Sacramento. 

Cabe ressaltar, também, que sem o estudo não se conhece a Cristo e sua Igreja. Por conseguinte, que o Catequista conheça o Catecismo da Igreja Católica – que o é o livro do Ministro da Catequese por excelência – tenha intimidade com as Sagradas Escrituras, procure estudar os grandes catequistas da história da Igreja. 

O Catequista deve ter esta vida para poder dá-la aos catequizandos. Um catequista que não vive para Cristo e sua Igreja, melhor fora que não recebesse este ministério. 

É importante ressaltar que, o esforço para manter-se fiel é algo indispensável no momento histórico em que vivemos, o diálogo é de suma importância. Isso se deve justamente ao fato da Igreja, assim como nos primeiros séculos, não possuir mais uma hegemonia sobre toda a sociedade. Os exemplos dos Santos Padres e de grandes homens e mulheres da Igreja nas últimas décadas provam que é possível manter um diálogo com o mundo sem mundanizar a Igreja. 


Conclusão 


Ao final desta breve explanação, é importante ressaltar a grande graça que o Senhor deu à sua Igreja por meio do Papa ao instituir o ministério do Catequista. Com este ato a autoridade eclesiástica não só deu o seu aval a tantos homens e mulheres que se desdobram em fazer a fé crescer na vida de tantas pessoas, mas faz deles ministros do Cristo Mestre, o catequista por excelência. 

Portanto o Ministro Catequista deve ter como diz o autor da Carta ao Hebreus “olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição” (Hb 12,2). Não confiando tanto em si, mas no Senhor que leva a termo toda obra boa, e tendo por modelo a Santíssima Virgem Maria, ela que ao lado de São José educou Jesus como homem e como judeu piedoso nos ensinará a formar os irmãos de seu Filho.



Autor: Vítor Turiano Meira CMF

           Missionário Claretiano