Wednesday, February 26, 2020

Mistagogia: Por que celebramos a Santa Missa?


No programa a voz do Catequista do dia 13/02/2020, comentávamos sobre o Congresso Catequistas Brasil, realizado nos dias 7 a 9/2, quando o catequista Assis Castro comentou a respeito da palestra “O tempo da Mistagogia e o método mistagógico”, do padre Thiago Faccini. Como o tempo do programa seria insuficiente para apresentar todas as impressões acerca do tema, foi proposto que se escrevesse um artigo no blog, para que possa servir como fonte de reflexão para todos nós catequistas.




Por que celebramos a Santa Missa?

(Minhas inspirações a partir da palestra do Padre Thiago Faccini, “O tempo da mistagogia e o método mistagógico”, apresentado no Congresso Catequistas Brasil 2020)
A resposta está na oração Eucarística II, quando a Igreja, pela boca do sacerdote reza: “Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação; e vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir”.  Se entendermos bem o significado de cada parte deste trecho conhecido como anamnese-ofertório(1) da anáfora(2), compreenderemos por que celebramos a Santa Missa.
[Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho] A Santa Missa é a celebração da morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Compreender que a missa não é uma representação, mas é a atualização do sacrifício da cruz, que por sua vez é acontecimento fundamental de nossa salvação, deve nos levar a um olhar mais atento ao significado especial do rito, dos gestos, dos símbolos e das palavras proferidas na celebração do mistério pascal. Uma participação ativa em cada momento da missa nos leva a uma espiritualidade profunda, que nos permite viver o tempo de Deus (Kairós) no tempo presente (Chronos).
Nem sempre essa pedagogia é compreendida, razão pela qual a Igreja tem proposto fazermos a experiência de uma catequese com inspiração catecumenal(3). Nos tempos primitivos da Igreja, os santos padres, em suas catequeses mistagógicas(4), usavam a celebração eucarística para educar os catecúmenos na fé. Por meio da ritualidade incorporada nos símbolos da ação litúrgica, os fiéis eram conduzidos para dentro do mistério celebrado, integrando o homem com o mistério pascal e com o ano litúrgico. Essa experiência permitia a integração da fé, com liturgia, vida e oração.
[nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação] Quando compreendemos o que celebramos, percebemos que a missa é o maior ato de agradecimento e de louvor que um ser humano pode oferecer a Deus pai. Como nela celebramos a morte de nosso Senhor Jesus Cristo, é nela que temos a oportunidade de oferecer nossa humanidade (uma vez que o corpo humano de Jesus já está revestido de glória e não pode ser oferecido outra vez) para que Cristo mais uma vez seja sacrificado no calvário do altar.
Oferecemos o pão e o vinho como símbolos da unidade, os muito grãos de trigo necessários para a fabricação do pão e as muitas uvas necessárias para se produzir o vinho, simbolizam a dimensão coletiva da nossa salvação. A salvação é uma escolha pessoal, eu me ofereço para morrer com Cristo no altar, mas eu não faço isso sozinho. É a comunidade Igreja que se oferece com Cristo como oferenda a Deus pai, assumindo um compromisso de vida nova, morrendo para o individualismo, morrendo para o egoísmo, para o pecado e assumindo uma vida nova em Cristo.
Comungar a hóstia consagrada, que é o próprio Cristo, é assumir esse compromisso.  Alimento-me de Cristo porque reconheço que o Corpo de Cristo possui elementos superiores à minha humanidade. Necessito Dele como alimento para que eu possa me fortalecer como cristão, como pessoa criada por Deus, que preciso superar muitas realidades da minha humanidade. Ao mesmo tempo, ofereço meu corpo humano como morada para Cristo, para que eu O leve aonde Ele quer estar, para que sua obra se complete. Ele me leva para a missão.
[e vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir ] Aqui está uma das maiores dignidades que o ser humano pode experimentar: estar na presença de Deus e servi-Lo. Com o coração cheio de gratidão, respondemos ao chamado de Deus com um retumbante SIM. “Faça-se em mim segundo a vossa palavra.
Uma catequese com inspiração catecumenal é uma catequese que faz uso do ritual do tempo da libertação, mesmo recurso que Jesus usou na última ceia, como parte do processo de educação da fé. Usar adequadamente os nossos ritos litúrgicos para dar sentido e razões para nossa fé é muito mais do que explicar aos catequizandos a missa parte por parte.

Referências:

CNBB. Iniciação à vida Cristã: Itinerário para formar discípulos missionários. Documento 107. Brasília: Edições CNBB, 2017.

A Oração Eucarística centro dinâmico da Eucaristia. Disponível em: https://afeexplicada.wordpress.com/2017/09/23/a-oracao-eucaristica/
Publicado em: 23/09/2017
Acesso em: 10/02/2020.

PARO, Thiago A. F. Catequese e Liturgia na Iniciação Cristã: o que é e como fazer. Petrópolis: Vozes, 2018.
Youtube. Canal Entretenimentos. Qual o significado da Santa Missa? – Fulton Sheen. Disponível em:  https://www.youtube.com/watch?v=rM54GJ4MsBc&list=PLboWw_m1equXjFTGyacwg5go7vPb7TiYj&index=18&t=0s.
Publicado em: 18/12/2014
Acesso em: 28/12/2019

Notas:
 (1) anamnese-ofertório.  Parte da Oração Eucarística em que se faz o memorial da oferta do Corpo e do Sangue de Cristo.
(2) anáfora. Palavra grega que advém de ana-fero (elevar). É o nome que recebe a Oração Eucarística momento em que elevamos a Deus o nosso louvor ou sacrifício.
(3) inspiração catecumenal. Uma catequese com inspiração catecumenal é uma catequese contínua, que não se encerra com o recebimento dos sacramentos, que perpassa todo o processo de iniciação cristã.
(4) catequese mistagógica. Uma catequese mistagógica é aquela que permite vislumbrar os mistérios sagrados por meio de uma experiência pessoal vivida em comunidade, nas partilhas da Palavra de Deus, na meditação e contemplação, na vida de oração e no diálogo com Deus.

Monday, February 24, 2020

Programa do dia 27/02/20 - Porque você precisa de um PAI



"A internet está cheia de dicas para quem se separou ou está para se decidir pela separação, e se baseiam no pressuposto de que a “felicidade” dos pais é mais importante que a saúde psicológica dos filhos. As causas para justificar um divórcio estão cada vez mais medíocres e superficiais. A sociedade enfrenta as consequências da disseminação de relações descartáveis. O centro do universo é a própria pessoa. O Outro o incomoda, então elimine-o. Esquecem-se de que as consequências da separação não afetaram apenas as crianças e os adolescentes. Elas alcançam os adultos que estas crianças e estes adolescentes serão no futuro."

"A ausência do pai pode se dar pela morte, pelo abandono ou pelo abuso, e podem causar na criança a propensão à: delinquência e ou violência e agressividade para satisfazer sua necessidade de afirmação, falta de amor próprio, uso de drogas, depressão/ansiedade, desconfiança em relação aos outros, conflitos na adolescência relacionados à identidade sexual."


"De acordo com uma pesquisa sobre o que significa ser um bom pai figuraram nas respostas as seguintes contribuições: Modelo de referência, controle, amor, provedor, sacrifício, disponibilidade, perdão, ouvinte, professor, envolvimento, protetor, disciplina, transparência afetiva, afeição, relacionamento com a mãe, controle adequado, amigo, admitir que errou."