Tuesday, December 11, 2018

Mandamentos - Comentários às Catequeses do Papa Francisco



Os mandamentos da lei de Deus. Para  introduzir, inspiramo-nos no trecho do Evangelho que narra o encontro entre Jesus e um homem — é um jovem — que, de joelhos, lhe pergunta como pode herdar a vida eterna.
Aqueles jovens que têm medo de tudo: “Não, eu sou assim…”. Estes jovens não irão em frente. Mansidão, fortaleza e nenhuma pusilanimidade, nenhuma mediocridade.
Como é preciosa a nossa existência!
Portanto, por que o Autor sagrado usa, precisamente aqui, o termo “dez palavras”? Por que não diz “dez mandamentos”?
Somos vassalos ou filhos?
As dez Palavras começam assim: «Eu sou o Senhor teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão»
Em vez de rezar a Deus, que é providência do futuro, iam ali porque liam as cartas para ler o futuro. Esta é uma idolatria dos nossos tempos.
Os ídolos exigem um culto, rituais; a eles as pessoas prostram-se e sacrificam tudo.
Porque às vezes acontece que os empresários daquela empresa, dessa firma, decidiram despedir as pessoas, para ganhar mais dinheiro.
O apego a um objeto ou a uma ideia torna-nos cegos ao amor. Levai isto no coração: os ídolos roubam-nos o amor, os ídolos tornam-nos cegos ao amor, e para amar autenticamente é preciso libertar-se de todos os ídolos. Qual é o meu ídolo? Elimina-o e lança-o da janela!
Inspiremo-nos precisamente no ídolo por excelência, o bezerro de ouro, do qual fala o Livro do Êxodo (32, 1-8).
E Deus ainda continua a agir para a tirar dos nossos corações. Esta é a grande obra de Deus: tirar “aquele Egito” que nós temos dentro, que é o fascínio da idolatria.
Nós, cristãos, dirigimos o olhar para Cristo Crucificado (cf. Jo 19, 37), que é frágil, desprezado e despojado de qualquer posse.
A expressão «em vão» é mais clara e quer dizer: «debalde, inutilmente». Faz referência a uma embalagem vazia, a uma forma sem conteúdo.
A partir da cruz de Cristo, ninguém pode desprezar-se a si mesmo e pensar mal da própria existência. Ninguém e nunca! Independentemente daquilo que fez. Porque o nome de cada um de nós está sobre os ombros de Cristo.
O domingo é o dia para fazer as pazes com a vida, dizendo: a vida é preciosa; não é fácil, às vezes é dolorosa, mas é preciosa.
É preciso reconciliar-se com a própria história, com os fatos que não se aceitam, com as partes difíceis da própria existência.
Trata-se da escravidão do próprio ego.
O amor verdadeiro é a liberdade autêntica: desapega da posse, reconstrói os relacionamentos, sabe acolher e valorizar o próximo, transforma em dom jubiloso todo o cansaço, tornando-nos capazes de comunhão.
No Decálogo, a palavra “felicidade” só aparece ligada ao relacionamento com os pais.
Mas o quarto mandamento diz ainda mais. Não fala da bondade dos pais, não exige que os pais e as mães sejam perfeitos.
Aquele, aquela que se apresenta como um problema, na realidade constitui um dom de Deus, que pode tirar-me do egocentrismo e fazer-me crescer no amor.
E, coerentemente, Jesus convida até a interromper a oferenda do sacrifício no templo, se nos recordarmos que um irmão está ofendido conosco, a ir à sua procura para nos reconciliarmos com ele.
«O amor quer ser definitivo. Não pode ser “até nova ordem”»
Não cometerás adultério” — evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana.
Por conseguinte, quem é o adúltero, o luxurioso, o infiel? É uma pessoa imatura, que conserva para si a própria vida e interpreta as situações com base no seu bem-estar e satisfação.
O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o lugar da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria nem para a sua superficialidade.
Ouvindo este mandamento, pensamos no tema do roubo e no respeito pela propriedade alheia.
Se há fome na terra, não é porque falta alimento! Ao contrário, devido às exigências do mercado, às vezes chega-se a destruí-lo, a deitá-lo fora.
Todos nós estamos em comunicação, sempre. Todos nós vivemos comunicando e estamos continuamente em equilíbrio entre a verdade e a mentira.
Os tagarelas, as tagarelas são pessoas que matam: matam o próximo, porque a língua mata como uma facada. Estai atentos!
Pelo contrário, devemos deixar-nos desmascarar por estes mandamentos sobre a cobiça, porque nos mostram a nossa pobreza, para nos levar a uma santa humilhação.
As últimas palavras do Decálogo educam todos a reconhecer-se mendigos; ajudam a colocar-nos diante da desordem do nosso coração, para deixarmos de viver de modo egoísta e para nos tornarmos pobres de espírito, autênticos na presença do Pai.
Somente a misericórdia de Deus cura o coração.

E, a partir dessa experiência de uma vida libertada, vemos como os outros mandamentos nos levam a viver a nossa relação com o próximo a partir do amor de Deus, numa existência agradecida, livre, autêntica, abençoada, fiel, generosa e sincera.
De fato, os mandamentos são como uma radiografia que nos deixa ver a face de Cristo e, por isso, compreendemos que Ele não veio abolir a Lei, mas leva-la ao pleno cumprimento.

Fonte: https://www.perpetuosocorro.org.br/catequese-do-papa-francisco-sobre-os-10-mandamentos/

Programa 29/11 - Teologia da Graça - A Ação de Deus dentro de nós


Programa 08/11 - Sínodo dos Jovens - Escutar para agir


Programa 01/11 - Novíssimos - É de onde vim e para onde vou...