Tuesday, July 7, 2020

Evangelizar no Brasil - Live D. Walmor - Presidente da CNBB

Queridos catequistas,

“Nossa igreja vai se fortalecer e se tornar mais autêntica na medida em que nós vivermos a experiência da CASA Estamos precisando fazer a nossa casa local de anúncio e oração. Durante esta pandemia, a casa de cada cristão se tornou mais Igreja.”




Para uma gestão pastoral, no que tange a administração, diante a pandemia do COVID-19, será muito importante que não haja exclusividade à administração financeira. A gestão pastoral inclui as questões que são importantes quando evangelizamos: a busca por condições adequadas, exemplaridade no uso dos recursos e o cuidado prioritário com os pobres.Os desafios de ordem financeira adveem do fato de que todos estamos enfrentando, nas paróquias, recursos mais escassos, e que devem ser adequadamente utilizados.

Sustentabilidade, desenvolvimento, otimização de recursos para chegar à solidariedade, este poe ser um remédio para um novo tempo.Superar as ambições, os egoísmos e os esquecimentos dos vulneráveis. Tantos gestos de amor têm sido vistos nestes dias de pandemia! Um exemplo disto é o projeto É tempo de cuidar, desenvolvido pela CNBB juntamente com a Cáritas. Nossa Igreja comprova a sua autenticidade cristã com o comprometimento com os que precisam e os mais pobres. Desde o Atos dos Apóstolos, tinham tudo em comum e não havia necessitados entre eles.

A Igreja sela sua missionariedade no âmbito do cuidado, da saúde, da promoção humana, do repartir. A todo tempo nossa Igreja é um encanto. Mesmo quando parece uma gota d’água em meio do oceano. Ação solidária emergencial, a fé e a caridade estão interligadas (rede capilar nas paróquias).
A demanda e os sofrimentos são maiores, as respostas ainda não são suficientes, porém, há uma modificação, também de famílias cristãs que estão fazendo o trabalho em rede, pois a vivência e testemunho da fé implica o compromisso.

O sonho do Papa Francisco é de que a pobreza não é miséria, é a oportunidade para o repartir. E este cuidado mútuo deve ser a marca em cada família cristã.  Uma família estruturada pode vir a adotar uma família irmã em situação de vulnerabilidade. Solidariedade em rede. A Igreja tem que ser pobre para os pobres. 

Por isso a urgência da formação: Formar discípulos missionários para o mundo. Há importância da formação para agentes pastorais, bispos, religiosos, leigos. Pedra preciosa: anuncia o INAPAZ – gestado na CNBB. O importante quando falamos em formação é sempre acrescentar uma adjetivação. Não pode ser alimentação conceitual para domínio de conteúdos. Há beleza e riqueza na doutrina da fé católica, mas há muito caminho a se percorrer. Precisamos de academias para abordar com aprofundamentos toda a riqueza da doutrina. Não basta ter clareza conceitual acera da doutrina desvinculado do testemunho.

A fé como experiência. É preciso formar, informar sobre a doutrina da fé. É preciso encontrar caminhos para que a vivência seja profunda. A emergência da subjetividade está a exigir que da experiência cristã formativa um algo mais, não alimentar somente a mente, mas uma vivência profética. A partir da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja, a formação não deve apenas alcançar a mente da pessoa, mas deve mover seu coração. Devemos buscar, por exemplo, uma ecologia integral (saúde física, emocional, espiritual, e também a saúde do planeta).

A Palavra de Deus tem tudo... profecia, experiência e amorosidade. Que nos toque no profundo, em um tempo com muito obscurantismo, confusão conceitual, confusão nas escolhas do modo de viver a fé. É possível a utilização de muitos instrumentos e plataformas para uma formação integral, de forma que toque a vida no seu conjunto e não haja dicotomia.

É preciso prezar pela formação de evangelizadores e também dos futuros padres (uma formação de qualidade e de referência). Definir passos, conteúdos modos e dinâmicas compreendidos no âmbito da formação integral.

Quanto à dúvida dos participantes de porque muitas paróquias não assumem as diretrizes evangelizadoras e sobre como seria as colocar em prática, D. Walmor explicou que o caminho é longo e exige muita perseverança... exige também uma mudança de mentalidade, baseado nos quatro pilares do documento: uma nova compreensão, um novo modo de ser e de organizar por parte dos animadores deste processo. Exige humildade, abertura e diálogo. Nos colocar em uma posição de aprendizes. Afinal sabemos muito de muitas coisas... é preciso desaprender para ser de novo Discípulo, que  é sinônimo de aprendiz.

Para que ocorra uma intervenção profunda na realidade é preciso se perguntar: Por que mudar? Sempre foi assim. Será preciso entrar com uma iluminação diferente. Está fazendo falta entendimentos adequados a quem lidera. Esperançosamente investir. A evangelização é um processo, e muitas pessoas entendem pouco de processo (um passo depois do outro). É preciso ter uma visão global daquela realidade, de uma diocese que precisa orientar de modo amplo.

Realizar uma mudança de mentalidade: Sair de uma pastoral de conservação para uma pastoral missionária e evangelizadora, na qual o diálogo com a sociedade é imprescindível. Isto recai sobre os evangelizadores em todos os níveis (bispos, sacerdotes, religiosos, leigos). Deve-se ter o entendimento a respeito do esquema de processos, saber de onde está indo e para onde quer ir, passo a passo, respeitando o contexto  cultural, plural no qual estamos inseridos. Compreendermos que as respostas que teremos muitas das vezes serão superficiais. Meditações e palavras nos movem, mas estamos repetindo palavras que nos tocam muito pouco.  Na dinâmica da casa a igreja já está dando um passo adiante! 

Sobre coisas práticas e concretas para a Igreja realizar durante e após a pandemia do Corona Virus. D. Valmor respondeu que a resposta seria muito ampla. A pandemia está nos ensinando o valor da casa de cada cristão. Cada pai, mãe, avó, tio deve se esforçar para fazer a leitura orante da Palavra de Deus, definindo um momento de espiritualidade da sua casa. Cada paróquia deverá saber onde é a casa do seu paroquiano. Quando retornar as atividades presenciais há necessidade de respeitar as exigências sanitárias previstas. As visitas aos enfermos e idosos por meios digitais podem multiplicar a cultura do encontro (uso das plataformas para alimentar os contatos entre as pessoas).

Obtemos agora uma nova compreensão do virtual o quanto temos atingindo as pessoas com os meios de comunicação e as redes sociais. Compreendemos assim que após esta pandemia não vamos voltar para abrir as igrejas como no passado. Quando tivermos a possibilidade de congregação presencial a igreja terá agora uma tarefa sanitária educativa. Não e apenas abrir as igrejas, em razão das pandemias, mas descobrir como nós vamos tratar a acolhida, o investimento na infraestrutura e procedimentos. A igreja é desafiada a adotar uma postura nova e diferente. Um acolhimento adequado, esgotar menos a natureza.

Como Presidente da CNBB, por um tempo curto, foi solicitado a D. Walmor um balanço e o compartilhamento de suas perspectivas:
- Com a colaboração dos Bispos e Comissões e Assessores temos conseguido leveza. Não fazermos o caminho como peso, mas com alegria nas reuniões e partilhas.
- Desafio de se abrir ao novo. Itinerário para a renovação de novo Estatuto e Regimento participativo. A CNBB é um Órgão de colegialidade com experiências de partilha e solidariedade.
- As Diretrizes gerais estão mais definidas e inspiradoras: Mostrar a prioridade do anúncio da palavra de Deus, pois a nossa força vem da comunhão.
- O grande desafio da comunicação: de forma simples, direta e assertiva.
- É exigido agora dar um passo novo. Fazer uma importante análise de conjuntura sócio política e da conjuntura eclesial, em um clima de esperança, para se obter novas respostas.

Simplicidade, rearticulação com leveza, utilidade, velocidade, para que a Igreja consiga dar um novo salto missionário. Superarmos divisões, e pela força do diálogo para que nossas diferenças se tornem nossas forças. A Igreja precisa de cada um, nesta alegria honrosa de sermos discípulos de Jesus.

Não vale a pena disputa, polarização, caminhos na contramão do Evangelho. O mais importante é estarmos unidos, na alegria da vivência cristã do testemunho. Gratidão à Igreja e encantamento com as experiências. Vale a pena sermos Igreja Católica, ajudando o mundo a ser um mundo melhor.

D. Walmor concluiu pedindo a  intercessão da mãe Aparecida para abençoar a todos os que estavam acompanhando.


Gratidão por tão poderosas e sábias palavras!

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