No
programa a voz do Catequista do dia 13/02/2020, comentávamos sobre o Congresso
Catequistas Brasil, realizado nos dias 7 a 9/2, quando o catequista Assis
Castro comentou a respeito da palestra “O tempo da Mistagogia e o método
mistagógico”, do padre Thiago Faccini. Como o tempo do programa seria
insuficiente para apresentar todas as impressões acerca do tema, foi proposto que
se escrevesse um artigo no blog, para que possa servir como fonte de reflexão
para todos nós catequistas.
Por que celebramos a Santa Missa?
(Minhas inspirações a partir da palestra do Padre Thiago
Faccini, “O tempo da mistagogia e o método mistagógico”, apresentado no
Congresso Catequistas Brasil 2020)
A resposta está
na oração Eucarística II, quando a Igreja, pela boca do sacerdote reza: “Celebrando, pois, a memória da morte e
ressurreição do vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice
da salvação; e vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na
vossa presença e vos servir”. Se
entendermos bem o significado de cada parte deste trecho conhecido como
anamnese-ofertório(1) da anáfora(2), compreenderemos por
que celebramos a Santa Missa.
[Celebrando, pois, a memória da
morte e ressurreição do vosso Filho] A Santa Missa é a celebração da
morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Compreender que a missa não é uma
representação, mas é a atualização do sacrifício da cruz, que por sua vez é
acontecimento fundamental de nossa salvação, deve nos levar a um olhar mais
atento ao significado especial do rito, dos gestos, dos símbolos e das palavras
proferidas na celebração do mistério pascal. Uma participação ativa em cada
momento da missa nos leva a uma espiritualidade profunda, que nos permite viver
o tempo de Deus (Kairós) no tempo
presente (Chronos).
Nem sempre essa pedagogia é
compreendida, razão pela qual a Igreja tem proposto fazermos a experiência de
uma catequese com inspiração catecumenal(3). Nos tempos primitivos
da Igreja, os santos padres, em suas catequeses mistagógicas(4),
usavam a celebração eucarística para educar os catecúmenos na fé. Por meio da
ritualidade incorporada nos símbolos da ação litúrgica, os fiéis eram
conduzidos para dentro do mistério celebrado, integrando o homem com o mistério
pascal e com o ano litúrgico. Essa experiência permitia a integração da fé, com
liturgia, vida e oração.
[nós vos oferecemos, ó Pai, o pão
da vida e o cálice da salvação] Quando compreendemos o que celebramos,
percebemos que a missa é o maior ato de agradecimento e de louvor que um ser
humano pode oferecer a Deus pai. Como nela celebramos a morte de nosso Senhor
Jesus Cristo, é nela que temos a oportunidade de oferecer nossa humanidade (uma
vez que o corpo humano de Jesus já está revestido de glória e não pode ser
oferecido outra vez) para que Cristo mais uma vez seja sacrificado no calvário
do altar.
Oferecemos o pão e o vinho como
símbolos da unidade, os muito grãos de trigo necessários para a fabricação do
pão e as muitas uvas necessárias para se produzir o vinho, simbolizam a dimensão
coletiva da nossa salvação. A salvação é uma escolha pessoal, eu me ofereço
para morrer com Cristo no altar, mas eu não faço isso sozinho. É a comunidade
Igreja que se oferece com Cristo como oferenda a Deus pai, assumindo um
compromisso de vida nova, morrendo para o individualismo, morrendo para o
egoísmo, para o pecado e assumindo uma vida nova em Cristo.
Comungar a hóstia consagrada, que
é o próprio Cristo, é assumir esse compromisso. Alimento-me de Cristo porque reconheço que o Corpo
de Cristo possui elementos superiores à minha humanidade. Necessito Dele como
alimento para que eu possa me fortalecer como cristão, como pessoa criada por
Deus, que preciso superar muitas realidades da minha humanidade. Ao mesmo
tempo, ofereço meu corpo humano como morada para Cristo, para que eu O leve
aonde Ele quer estar, para que sua obra se complete. Ele me leva para a missão.
[e vos agradecemos porque nos
tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir ] Aqui
está uma das maiores dignidades que o ser humano pode experimentar: estar na
presença de Deus e servi-Lo. Com o coração cheio de gratidão, respondemos ao
chamado de Deus com um retumbante SIM. “Faça-se
em mim segundo a vossa palavra.”
Uma catequese com inspiração
catecumenal é uma catequese que faz uso do ritual do tempo da libertação, mesmo
recurso que Jesus usou na última ceia, como parte do processo de educação da
fé. Usar adequadamente os nossos ritos litúrgicos para dar sentido e razões
para nossa fé é muito mais do que explicar aos catequizandos a missa parte por
parte.
Referências:
CNBB. Iniciação à vida Cristã: Itinerário para formar discípulos
missionários. Documento 107. Brasília: Edições CNBB, 2017.
A Oração Eucarística centro dinâmico da Eucaristia. Disponível em: https://afeexplicada.wordpress.com/2017/09/23/a-oracao-eucaristica/
Acesso em: 10/02/2020.
PARO, Thiago
A. F. Catequese e Liturgia na Iniciação Cristã: o que é e como fazer.
Petrópolis: Vozes, 2018.
Youtube.
Canal Entretenimentos. Qual o significado da Santa Missa? – Fulton Sheen.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rM54GJ4MsBc&list=PLboWw_m1equXjFTGyacwg5go7vPb7TiYj&index=18&t=0s.
Publicado
em: 18/12/2014
Acesso em:
28/12/2019
Notas:
(1) anamnese-ofertório.
Parte da
Oração Eucarística em que se faz o memorial da oferta do Corpo e do Sangue de
Cristo.
(2) anáfora. Palavra grega que advém de ana-fero
(elevar). É o nome que recebe a Oração Eucarística momento em que elevamos a
Deus o nosso louvor ou sacrifício.
(3) inspiração catecumenal. Uma catequese com inspiração
catecumenal é uma catequese contínua, que não se encerra com o recebimento dos
sacramentos, que perpassa todo o processo de iniciação cristã.
(4) catequese mistagógica. Uma catequese mistagógica é aquela
que permite vislumbrar os mistérios sagrados por meio de uma experiência
pessoal vivida em comunidade, nas partilhas da Palavra de Deus, na meditação e
contemplação, na vida de oração e no diálogo com Deus.

Belíssimo texto Assis! Parabéns! Que O Doce Espírito Santo continue a te fortalecer e o levar sempre À MISSÃO!
ReplyDeletea q ainda está ressoando em mim é: "preciso superar muitas realidades da minha humanidade". Que o Bom Deus nos ajude, a nunca deixa lo de amar, porque sabemos onde encontrá-lo!